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19 de mar. de 2012

Campanha eleitoral se faz em 4 anos!


Uma área pouco explorada pelos profissionais de Relações Públicas é a política. Muitos jornalistas e publicitários já trabalham nas campanhas e na comunicação de mandatos, mas RPs não tem uma grande participação nessa área. Se formos pensar bem, o profissional de RP pode desenvolver uma carreira brilhante como assessor. A maioria das grandes áreas de estudos das Relações Públicas são requeridas neste tipo de trabalho. Oficialmente no Brasil as campanhas eleitorais tem duração de cerca de 3 meses. Para um candidato novato esse período é o máximo de tempo que ele terá para se promover e ganhar uma eleição. Mas para o candidato que já está em um cargo a campanha eleitoral tem que ser feita em 4 anos. Claro que não é a campanha "vote em mim" em todo esse tempo. Até porque ficaria muito chato um candidato pedindo seu voto o tempo todo, além de ser ilegal, mas o relacionamento com os eleitores, com o partido e com os demais parceiros deve ser feito durante todo o período de mandato. Daí uma comunicação planejada e efetiva que equilibra os interesses da população, e dos diversos stakeholders com os do político. Aquele candidato que tem, durante todo seu mandato, uma equipe profissional de comunicação tem uma chance grande de obter ótimos resultados nas urnas. E a energia desprendida nos 3 meses de eleições será focada e fundamentada em uma relação já construída por mais de 3 anos.
Para isso, o RP, tanto na campanha eleitoral como no mandato, deve buscar uma aproximação entre a identidade e a imagem do político. Desta forma, o que prevalece no trabalho do RP é a transparência. O povo não é burro. Mentiras não colam. Ou o candidato é ético com um plano de governo sério, ou um dia a máscara cai. Veja o Collor que construiu uma identidade na campanha contra o Lula em 89, e após ser eleito mostrou ser outra pessoa. Bloqueou as poupanças e sua popularidade caiu drasticamente. Tanto que sofreu um impeachment. A tendência com as novas mídias é de que cada vez mais as pessoas busquem se informar sobre os candidatos. Com uma identidade sólida e ética os profissionais de comunicação só tem o trabalho de refletir essas características à imagem.
O desafio é muito grande. Ser um RP de político não é tarefa nada fácil. Mas, com certeza, é uma área que só tende a trazer benefícios profissionais. É como meu pai falava, "quem aprende dirigir em um fusca, dirige qualquer carro". Talvez o mesmo ditado sirva para nossa profissão.

1 de nov. de 2011

Ética de Espinosa e a Comunicação


Para compreender o pensamento espinosano precisamos contrastá-lo com o pensamento platônico. Neste predomina o dualismo. A separação entre corpo e alma, do mundo material e do mundo espiritual, do plano físico e do plano abstrato. Para Platão, o mundo das ideias tem soberania em relação ao mundo do corpo. Desta forma, há um mundo ideal que age sobre o corpo e determina seu comportamento.

A visão de Espinosa é completamente oposta. O pensamento espinosano é monísta, ou seja, não há separação entre matéria e pensamento. O mundo das ideias e o mundo material são um só e complementares. É o corpo material quem pensa, quem produz ideias. E estas ideias surgem a partir dos afetos sentidos pelo corpo. Portanto, o pensamento, para Espinosa, está diretamente ligado aos afetos e por eles é formado. Não há pensamento sem afeto e não há afetos sem pensamento. Estes afetos são as interpretações que o corpo dá aos encontros com o mundo. Estamos o tempo todo nos encontrando com o mundo. A todo instante as partes relacionam-se com outras partes, e assim, formam o todo. A palavra encontro é inseparável da palavra relacionamento. Desta forma, somos parte do mundo e a todo o momento estamos nos relacionando com outras partes. A relação estabelecida entre as partes as transformam de forma mútua. Nós estamos o tempo todo modificando o mundo e o mundo está da mesma forma nos transformando. Portanto, os encontros que acontecem a todo instante transformamambas as partes. No instante seguinte aos encontros já não somos mais os mesmo indivíduos. Fomos modificados em maior ou menor grau dependendo da intensidadedos afetos gerados pelo encontro.

Desta forma, relações, para Espinosa, são encontros que ocorrem entre as partes que se transformam a parti dos afetos produzidos em cada um. Os afetos criados graças ao encontro entre as partes que interagem, mas eles são sentidos individualmente.

Vamos ilustrar um pouco. Por exemplo,uma pessoa qualquer estabelece relações (encontros) com diversas pessoas. Ela se relaciona melhor com umas do que com outras. Se relacionar melhor quer dizer então que ela transforma e é transformada mais por algumas pessoas do que com outras.

E a comunicação? Onde entra nesta história? A comunicação faz parte dos encontros entre as partes. O ato comunicativo é um encontro. Transforma tanto o emissor como o receptor. Podemos dizer que a comunicação é o ponto de contato entre as partes durante o encontro. E pela ótica de Espinosa, a comunicação não é apenas transmissão de informação. Ela é produto e produtora de afetos. A comunicação é criada pelo pensamento consciente ou inconsciente. E o pensamente é criado a partir dos afetos. Desta forma a comunicação é afetiva. Como os encontros transformam as partes envolvidas. O ato comunicativo provoca modificações em ambos.

Cada encontro é único, portanto cada ato comunicativo é único. Mesmo que a mensagem, aparentemente, seja a mesma, os indivíduos envolvidos já não são mais os mesmos. Eles se transformaram. São “novas”pessoas no próximo instante que a comunicação se repetir. Quanto mais encontros duas partes estabelecem, mais elas vão se transformando e mais duradoura vai se tornando esta relação. Podemos assim dizer que um relacionamento que perpetua num longo intervalo de tempo é aquele que se estabelece por encontros que se repetem entre duas partes. E esta repetição vai transformando aos poucos, dependendo da intensidade dos afetos produzidos, cada parte em um novo individuo. Portanto, a cada encontro podemos dizer que “nasce” um novo indivíduo diferente do primeiro graças à outra parte.

Podemos estabelecer valor às coisas que nos relacionamos a partir da qualidade dos afetos que tais coisas nos proporcionam. Dizemos que algo é “bom” se as transformações afetivas que ela nos provoca forem positivas, ou seja, caminham para nos sentirmos bem. O contrário, uma coisa é “ruim” se nos provoca afetos negativos, ou seja, fazem nos sentir mal. Desta forma, temos uma ética baseada no pensamento de Espinosa e podemos cuidar para produzir uma comunicação sustentada por esta ética. Onde buscamos estabelecer encontros regidos por atos comunicativos que despertem “bons” afetos entre os interlocutores.

*referência no livro Ética de Espinosa. Relógio D'água Editores, 1992.

31 de out. de 2011

Sustentabilidade: as etapas dos públicos
















Ser sustentável significa viver a vida de uma maneira completamente diferente de como vivemos hoje. É necessário mudar completamente nossos hábitos de vida e principalmente de consumo. Mas para que mudemos nosso comportamento precisamos de novas alternativas que nos faça sentido. Podemos dizer então que existem em nossa sociedade pessoas em diferentes momentos com relação à sustentabilidade. Vamos tentar entender estes momentos dividindo em 3 partes :

  1. Uma pequena parte está consciente de que o modo de consumo que temos hoje não é suportável pelos recursos disponíveis. Sabem da importância de re-significar os modos de produzir, consumir e agir. Produtos que supram as necessidades reais e não as criadas. De fabricantes com comprometimento com o social, ambiental e econômico. Produtos que gerem o mínimo de resíduos e que estes resíduos possam ser reaproveitados, reciclados e tornar-se matéria-prima para outras atividades econômicas.
  2. Outra parte tem uma visão destorcida do termo sustentabilidade e percebeu que ele agrega valor. Desta forma o utiliza para gerar proveito próprio ou econômico sem se preocupar em mudar de fato seu modo de produção e a relação com a sociedade. Está preocupado em gerar mais lucro. O que se chama de GreenWash*.
  3. É a grande maioria da sociedade que acaba não recebendo informações sobre o tema ou quando recebem entendem muito pouco sem perceber a dimensão do que é sustentabilidade nem mesmo como reproduzi-la na prática. O termo para estas pessoas ainda não faz sentido completo.
*GreenWash é uma expressão que vem do inglês e que se refere a prática de uma comunicação falsa sobre a sustentabilidade. Basicamente é quando a organização ou indivíduo não tem uma prática de fato sustentável, mas comunica a sociedade dizendo que tem para agregar valor a si e para sua marca. É a propaganda verde enganosa.

 
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